O mês de dezembro é considerado o mês de prevenção ao câncer de pele. O assunto é importante, devido a alta incidência da doença em cães e gatos.

As neoplasias cutâneas são as mais comuns na medicina veterinária e, portanto, as mais diagnosticadas na rotina anatomopatológica.

Entende-se por câncer uma proliferação desordenada das células do corpo e maligna, que se apresentam macroscopicamente como aumento de volume, lesão ulcerada, formação/nódulo.

Algumas causas que levam ao câncer de pele já são conhecidas (quadro 1), como por exemplo a radiação ultravioleta, que está relacionada ao carcinoma de células escamosas, ao melanoma e ao hemangiossarcoma.

As formações cutâneas podem ser únicas ou múltiplas e costumam ser facilmente notadas pelos tutores dos animais, que buscam atendimento clínico e cirúrgico. Ao ser atendido com tumor cutâneo o paciente pode ser submetido a coleta de material para realização de exame citológico, a fim de triar se a presente formação é inflamatória, hiperplásica, displásica ou neoplásica e dentro das neoplasias, se benigna ou maligna e a origem do processo, se epitelial ou mesenquimal (e aqui entra de células fusiformes ou células redondas). O diagnóstico citológico auxilia o cirurgião veterinário na abordagem da neoplasia e contribui no planejamento  cirúrgico, na definição do tamanho das margens cirúrgicas, por exemplo. Em alguns casos, pode-se abrir mão e realizar diretamente a biópsia, incisional ou excisional, e posterior análise histopatológica com a necessidade de avaliação das margens cirúrgicas, ou não, conforme necessidade. Com a biópsia transcirúrgica por congelação,  pode-se ter o diagnóstico presuntivo no momento da cirurgia, orientando o cirurgião no ato cirúrgico, reduzindo as chances futuras intervenções cirúrgicas e agilizando o tratamento do paciente.

Os linfonodos regionais devem ser removidos sempre que apresentarem aumento de volume ou demais anormalidades e encaminhados para análise histopatológica, para pesquisa de metástases.

A determinação do tumor, a avaliação do linfonodo regional e a pesquisa de metástase à distância, caracteriza o estadiamento clínico dos tumores cutâneos, o denominado TNM.

O carcinoma de células escamosas (CCE) é um dos tipos de câncer de pele e representa 5% dos tumores cutâneos em cães e 25% das neoplasias cutâneas em gatos e está intimamente ligado à exposição crônica aos raios ultravioletas do tipo B e recentemente associado a anormalidades do gene supressor de tumor p53, e acomete principalmente animais brancos ou pouco pigmentados e em áreas de pouco ou nenhum pelo, como a região periocular e nasal. O CCE pode ser prevenido, evitando que esses animais predispostos tenham acesso direto aos raios solares no período das 9h às 15h e utilizando protetor solar.

Histologicamente, o CCE é caracterizado pela presença das denominadas “pérolas córneas” (figura 1).

Figura 1 – Fotomicrografia do carcinoma de células escamosas, evidenciando a presença de pérolas córneas

O laboratório CVAP se dedica há mais de 10 anos no diagnóstico anatomopatológico de animais, com intensa rotina diagnóstica de citologia, histopatologia e biópsia transcirúrgica por congelação em tumores cutâneos.