Por Caio Fernando Monteiro Gimenez

    A dermatofitose é uma infecção fúngica antropozoonótica causada por fungos queratinofílicos, que se nutrem da queratina da epiderme e dos folículos pilosos, denominados dermatófitos, caracterizados pelos gêneros Microsporum e Trichophyton e Epidermophyton.

O microsporum canis (M. canis) é o dermatófito isolado com maior frequência no Brasil, seguido pelo M. gypseum e pelo Trichophyton mentagrophytes.

Os cães de até 12 meses de vida apresentam mais da metade dos casos de dermatofitose. Não há predisposição sexual ou correlação com o tamanho do pelame, bem como não há predisposição racial, entretanto, os cães da raça Yorkshire, apresentam maior predisposição à doença, como, também, apresentam quadros mais graves e crônicos.

As lesões dermatofíticas podem ser focais, multifocais ou generalizadas, localizadas frequentemente em região cefálica (Figura 1), tronco e membros; apresentam eritema, escamas e crostas associadas à alopecia e prurido moderado, entretanto, o prurido pode estar ausente em metade dos pacientes. Contudo, infecções bacterianas secundárias por Staphylococcus pseudointermedius podem ocorrer concomitantemente.

Figura 1 – Lesão cutânea focal, alopécica, eritematosa e crostosa em região de plano nasal de cão. (Fonte: LENIK, 2009).

O diagnóstico pode ser feito através da coleta de dados, identificação das lesões cutâneas e da anamnese, exame direito, lâmpada de Wood, cultivo micológico, bem como exame histopatológico.

O histopatológico é um exame relativamente rápido para o diagnóstico de dermatofitose em relação ao exame micológico, entretanto, o cultivo é o único método que caracterizada o gênero e a espécie do dermatófito. A biópsia deve ser coletada da região alopécica, descamada ou com alterações pilosas.

Microscopicamente a epiderme e o infundíbulo folicular podem apresentar acantose e hiperqueratose. Em alguns casos notam-se crostas serocelulares. Por serem queratinolíticos, ou seja, por se alimentaram da queratina, os dermatófitos geralmente estão presentes ao redor dos pelos ou soltos dentro dos folículos pilosos, seja como esporos ou hifas pobremente coradas (Figuras 2 e 3). A lesão histopatológica pode ser variável. Por vezes podemos observar foliculite discreta a moderada. Esses folículos pilosos parasitados podem romper e consequentemente observamos a queratina dispersa na derme, culminando em tricogranuloma.

Figura 2 – Fotomicrografia de pele; observar a acantose, dilatação e hiperqueratose folicular, bem como a os esporos colonizando os folículos pilosos (HE; 100x)
Figura 3 – Fotomicrografia de pele; observar a dilatação infundibular com hiperqueratose e colonização dos folículos pilosos por esporos de dermatófitos (HE; 400x).

O prognóstico é bom na maioria dos pacientes caninos, sendo reservado no Yorkshire, devido à possibilidade de maior gravidade das lesões.

 

Referências

BALDA, A. C. Dermatofitose. In: LARRSON, C. E.; LUCAS, R. Tratado de medicina externa: dermatologia veterinária. São Caetano do Sul: Interbook. p. 243-265, 2016.

CONCEIÇÃO, L. G.; SANTOS, R. L. Sistema tegumentar. In: Patologia Veterinária. São Paulo: Roca. p. 421-524, 2010.

GROSS, T. L., IHRKE, P. J.; WALDER, E. J.  AFFOLTER, V. K. Pustular and nodular diseases without adnexal destruction. In: ____ Skin Diseases of the Dog and Cat: Clinical and Histopathologic Diagnosis. 6 ed. Iowa: Blackwell. p. 406-419, 2005.

LENIK, M. Folliculitis with intraluminal organisms. In: MECKLENBURG, L.; LINEK, M.; TOBIN, D. J. Hair loss disorders in domestic animals. Iowa: Wiley-Blackwell.  p. 193-214, 2009.